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Newsletter «À Segunda.»

Edição n.º 29

Falamos depois do verão. Já é depois do verão.


O tema desta semana

Foi em junho, à saída de uma reunião ou junto à máquina do café. «Depois do verão falamos do aumento.» «Em setembro revemos essa questão.» «Quando isto acalmar, tratamos da mudança de equipa.» Levou a promessa consigo para as férias, guardada como quem guarda um recibo.

Setembro chegou, está quase a acabar, e a promessa continua exatamente onde a deixaram. Ninguém voltou a mencioná-la. Entretanto, já fez as contas: faltam nove dias úteis até outubro.

Chamo-lhes promessas de corredor: são os compromissos assumidos fora das reuniões, sem testemunhas, sem data e sem registo. São a moeda informal da gestão, e têm uma característica que explica quase tudo o que se segue: compram paz em junho e não custam nada em setembro. Quem promete arruma um assunto; quem recebe a promessa guarda-a. É por isso que a memória dos dois é tão desigual: o seu chefe lembra-se vagamente de uma conversa, e quem a recebeu lembra-se da frase palavra por palavra, do sítio onde estavam e do que ele tinha na mão.

E antes de transformar o atraso num veredicto sobre o seu valor, deixe-me dar-lhe uma dose de realismo: a maioria das promessas de corredor não morre por má-fé. Morre por falta de arquitetura. Uma promessa sem data, sem registo e sem testemunhas não tem onde se pendurar; setembro chega cheio de urgências e ela fica à espera de um lembrete que não existe. Adivinhe quem é o lembrete.

Por isso, se levou uma promessa para as férias e ainda ninguém a mencionou, proponho-lhe três movimentos:

1

Tire-a do corredor. Escreva um email curto e cordial, sem tom de cobrança e sem ironia: «Gostava de retomar a conversa que tivemos em junho sobre X. Diga-me quando lhe fizer sentido, esta semana ou na próxima.» A promessa passa a existir por escrito, e isso muda tudo.

2

Peça a conversa, e não peça já a resposta. Se perguntar «então e o aumento?» no corredor onde a promessa nasceu, ela volta a morrer no mesmo sítio. Peça meia hora de agenda: o que tem data marcada acontece, e o que não tem fica a viver de boas intenções.

3

Aceite qualquer resposta, menos o esquecimento. A conversa pode terminar num não, e um não explicado é informação valiosa: diz-lhe onde está e o que fazer a seguir. O que não pode é viver mais um trimestre pendurado num talvez.

Setembro está quase a acabar e a promessa que lhe fizeram ainda não sabe.

E deixo uma palavra a quem lidera, porque metade de quem me lê já esteve dos dois lados: cada promessa de corredor que se deixa morrer ensina a equipa a não acreditar na próxima. O crédito não se perde no dia em que diz que não; perde-se no dia em que fica claro que já nem se lembra de ter dito talvez. Se prometeu em junho, cumpra esta semana ou desdiga-se esta semana. As duas opções são respeitáveis; a terceira não tem nome bonito.

Boa semana. E pense na promessa que lhe fizeram antes do verão: se já foi cumprida, dê os parabéns ao seu chefe, que pertence a uma espécie rara; se ainda ninguém a mencionou, o email do primeiro movimento escreve-se em quatro linhas. Setembro ainda tem nove dias úteis, e a sua promessa só precisa de um.


Este fim de semana, o meu trabalho levou-me até ao evento da Adriana Carneiro: o Faz a Tua Mudança, no Taguspark. Há eventos em que se fala de mudança e há eventos onde a mudança está literalmente sentada nas cadeiras: pessoas que dedicaram um sábado do seu tempo a decidir alguma coisa sobre a própria vida. Não há público mais exigente nem mais generoso.

Do que deixei naquele palco, guardo aqui o essencial: decidir é a parte que demora um segundo; sustentar a decisão quando a segunda-feira chega é que é o verdadeiro trabalho. A quem esteve na sala, deixo o meu obrigada por cada conversa no fim. Trouxe várias comigo para casa.


Livro

The Speed of Trust

Stephen M. R. Covey · (em inglês)

A tese é simples e mede-se em euros: a confiança acelera tudo e a desconfiança encarece tudo. E a confiança constrói-se com uma única matéria-prima, que são os compromissos cumpridos. É a leitura indicada para quem costuma prometer.

Filme

Jerry Maguire

Cameron Crowe · 1996

Um homem escreve aquilo em que acredita e depois descobre o preço de cumprir a própria palavra. Quase trinta anos depois, continua a ser um filme sobre promessas e sobre a diferença entre fazê-las e sustentá-las.

Podcast

A Bit of Optimism

Simon Sinek

São conversas curtas sobre confiança, liderança e relações no trabalho. Procure os episódios dedicados à confiança nas equipas; são meia hora bem gasta no caminho para o escritório.

Pessoa

Frances Frei

Professora · Harvard Business School

Estuda a confiança como poucos e defende que ela assenta em três pilares (a autenticidade, a lógica e a empatia) e que se reconstrói mesmo depois de quebrada. É a pessoa indicada para uma edição sobre a palavra dada.


24 Set

Happiness Camp, Porto

26 Set

Health Fest, Lx Factory, Lisboa, 9h30

26 Set

Wanderlust, Lisboa, 14h30

10 Out

Game Changers Forum, MEO Arena

28 Nov

The Decision Room, Lisboa, 10h

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Reflexões práticas sobre liderança, cultura e carreira, todas as segundas-feiras. As edições ficam em arquivo aberto: boas para ler, ótimas para partilhar com a equipa.

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